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Quem sou eu

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Sou a alma errante, que cai mas se levanta! Sou o que a vida pode me ensinar, sou aquilo que posso aprender, e aprendo! Não julgue! Não minta! Mas se fizeres, tente outra vez! Viva da verdade, sem vaidade, fruto que nasce no engano não pode sobreviver por muito tempo, porém a dor poderá ser um eterno tormento! Pessoas... ainda acredito nelas, pois elas precisam acreditar em mim. Acredite! A magia esta em 'conhecer' e seguir na troca de figurinhas! Tudo passa, porém, nossa história fica, e feliz aquela que for lembrada e publicada. Não sou o que escrevo, mas o que a vida é, e se ela é, e eu a vivo, todos somos escrita! Eu... Lucas Nunes (LNS7)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O que diz um segredo


Fala em tom de canto quem confirma o poder da palavra
Ouve à maneira de cura quem espera a prece alcançada
Se a terra se entrega em vento de cortina turva
O segredo é não se desesperar

Conversa que para o mundo, não pede hora marcada
O tempo se esvai, a noite se vai e do lado de fora o céu amanhece
Siga os passos, de ombros colados, de olhos calados, o silêncio que diz...
O segredo é não se desesperar

Faz parte do livro momentos esquecidos, memórias que se distraem
Mas tão logo e cedo retorna pra vida, às páginas escritas, lembranças de cheiro
E quando retornar, e mesmo assim não for possível recordar
O segredo, ainda, é não se desesperar

Se faltarem luzes aos caminhos distantes, não se espante
Acenda o brilho de um sorriso
Ilumine as vielas e seja abrigo
O segredo é não se desesperar

Fala em tom de canto quem confirma o poder da palavra
Ouve à maneira de cura quem espera a prece alcançada
Se a terra se entrega em vento de cortina turva
O segredo é não se desesperar

Lucas Nunes

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Lugares à mesa


Das horas que não sei, passos de uma corrida se aproximam
Na mesa de um café, a mesma senhora, o mesmo olhar a perder de vista
Em cartazes pela rua, o seu nome quem me chama por caligrafia
Um garçom que se aproxima, a refeição por ele erguida, a mesa agora vazia...

Cansei as minhas pernas ao gastar minhas passadas
Segui por todos os becos pegadas de quem apenas vi distante
Aquela senhora, sentada sozinha com seu bloco de notas
Agora perdida, em busca de outra mesa, outro café, para um brinde sozinha

Não há mistérios para a solidão, nem pecado algum que a condene
Antes só do que acompanhado e ainda só...
Antes só contigo do que consigo e em perigo...
Mesmo não havendo música ali, ela se levantou e decidiu a canção seguir

Estando toda a rua em passadas de corrida, ninguém notou sua passagem
Bem distante e ao longe, já na linha de chegada, um cartaz foi erguido
Em letras garrafais somente ela pode ler o escrito...
“Teus passos cansados me trouxeram de volta o lugar à mesa, ainda vazio...”

Das horas que não sei, passos de uma corrida se aproximam
Na mesa de um café, a mesma senhora, o mesmo olhar a perder de vista
Em cartazes pela rua, o seu nome quem me chama por caligrafia
Um garçom que se aproxima, a refeição por ele erguida, a mesa, por ora, ainda vazia...


Lucas Nunes

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Palavras regadas

Sob a luz de um poema vidas brotam entre palavras
Pelas frases em folhas serenas surgem contos de vida selvagem
Regue à tinta com o toque de suas mãos a nova criação
Mantenhas aberto, o que por certo trará a cada leitura, nova emoção

Transcrevo o cantar de um passarinho àqueles que conseguirão ouvir
E mesmo antes que este canto encante, o tempo oferece mais espaço ao que desejar sentir
Surgem o som de asas, uma a uma enfileirada numa dança suave no céu
A terra abaixo contempla a graça de aves serenas em voos de papel

Os olhos buscam o mundo ao redor para que lendas possam surgir
Histórias surgem a cada segundo, em becos escuros sem alguém por escrito exprimir
Desce o dedo regado à saliva para a página virar
O que vem por detrás da folha oferece nova escolha àquele que desejar narrar

Andam por aí tentando encontrar folhas limpas para um escrito
Mas há tantas folhas novas clamando por algum registro
Há vozes na vida lá de fora que ainda não puderam falar
Tornem as páginas abertas para que estas vozes possam ecoar

Sob a luz de um poema vidas brotam entre palavras
Pelas frases em folhas serenas surgem contos de vida selvagem
Regue à tinta com o toque de suas mãos uma nova criação
Mantenhas aberto, o que por certo trará a cada leitura, nova emoção

Lucas Nunes

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Vozes que clamam

Hoje à noite uma voz ecoou no mundo lá fora
Mas eram altos os barulhos dos talheres de prata
Soavam em cascata o tilintar das taças de cristais
E então a voz não foi ouvida

Tenha colo nos braços da paz e repouse serena a criança perdida
Tenha esperança, ainda, na vida aquele quem a idade veio abraçar
Tenha flores os campos...
Derrame o céu sobre a terra as águas de seus cântaros...

Se não houver quem clame por nós, as pedras assim farão
Mas ouça, ainda, a voz de uma mão estendida
Divida, ainda, a melhor parte de sua comida
Uma vida atendida, e a morte não poderá convidá-la ao seu banquete

Um azul e vermelho à beira do mar, na areia da praia
A inocência rendida no desespero de vida, o fôlego que se foi
Acolhida pelos braços do Pai das luzes, a sua luz enfim se acendeu
Era uma criança que pouco cresceu e que o mundo não parou para ouvir...

Hoje à noite uma voz ecoará no mundo lá fora
Aquiete os barulhos altos de seus talheres de prata
Cesse o tilintar das taças de cristais
E então atenda a voz e ouça o que ela tem a clamar...

Lucas Nunes

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vivo de vida

Eu vivi a vida ao lado de quem vida viveu
Eu cresci com vida a vida que tenho a viver
Eu sorri pra vida quando a vida lágrima escorreu
Eu corri para um abraço de vida de quem a vida me deu

Eu vi a vida seguir sem mais vida, então saudade bateu
Eu vi a vida brindar nova vida, então a criança cresceu
Eu vi a vida crescer sem medida no caminho que escorreu
Eu vi a vida nua, despida, na criança que sou eu

Há tanta vida a ser escrita de quem a vida acolheu
Há tanta vida a ser lida por quem lendo na vida viveu
Há tanta vida esquecida que vagas lembranças devolvem à vida, vida que se
perdeu
Há tanta vida esperando pela vida que pouco a pouco se escondeu...

Eu vivi a vida ao lado de quem vida viveu
Eu vi a vida seguir sem mais vida, então saudade bateu
Eu sorri pra vida quando a vida lágrima escorreu
Eu vi a vida nua, despida, na criança que sou eu

Lucas Nunes

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Cânticos de primavera

Traz o vento os teus encantos em brisas de aroma e cor
Sopra o vento os teus ares, brumas à relva em flor
Em cada galho a oferecer espaço, um pássaro a espera...
Abrem asas e vibram a terra com os cânticos de primavera

Ecoa o som de um violão do “seu moço” num banquinho
Não se move a viva estátua envolta de luz dourada pela tinta que reluz
O sol insiste um pouco e ainda pra quem deseja mais no dia o dia abraçar
Brindam taças de copos-de-leite toda a gente que sente a primavera cantar

Voltam os filhos para a casa e pra casa toda a criação
Doces, compotas, bolos e tudo o mais que adoça a todos servir
Mais à noite surgem histórias por quem plantou lá fora flores pra colorir
Silencia a voz que narrava às canções fora da casa que embalam quem espera o sono vir

Flutua sobre os campos em graça por todo canto, sua majestade estação
Na borda dos teus vestidos brota o colorido em pétalas de jasmim
Nasce em ti a vida de cada espécie que tinge a essência alegre presente em cada ser
Caminham por tapetes amarelos os pés que ficaram à espera do deitar de um ipê

Traz o vento os teus encantos em brisas de aroma e cor
Sopra o vento os teus ares, brumas à relva em flor
Em cada galho a oferecer espaço, um pássaro a espera...
Abrem asas e vibram a terra com os teus cânticos de primavera

Lucas Nunes

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Tempos de lá

Abra as asas saudosa lembrança dos tempos de lá
Percorra a casa de chão amarelo amarelão
Destranque as portas de tramela e veja pela janela que...
Há sementes sendo plantadas na terra ao lado

Vá até o fogão à lenha no quintal e dê a ele vento ao fogo
Sente-se e veja a habilidade daquela senhora
Que faz a aurora do branco do barro de argila
É magnífico vê-la feliz, fazendo o que hoje tu lembras a mim

Acorda o dia, tem café com farinha e água de cacimba
“Ande Dito, dê logo milho aos pintos enquanto trato do resto da criação”
“Tenha calma Júlia, tô trocando a água suja, e tu não espante o leitão”
E no alto do abacateiro, assiste a criança toda essa alegria no terreiro

Dança suave fim do dia, abrace em seus poleiros uma a uma as galinhas
O fogo ainda está aceso e vem aí um viradinho, um refogado, doce de leite...
Traga dos tempos de lá o cheiro que luto em não esquecer
Daquele pó torrado, daquele milho ralado, daquele pilão tão antigo...

Sempre irá existir aquela casinha onde cercas de bambus eram vizinhas
Onde ecoa o som de muitas rolinhas e borboletas ainda beijam folhas de caetê
Haverá flores na jabuticabeira e muito em breve a amoreira dará seu fruto sem se cansar
E num quarto bem quentinho lembrarei que dormem um sono divino os donos desse lar

Volte em suas asas saudosa lembrança dos tempos de lá
Traga-me as memórias da casa de chão amarelo amarelão
Feche as portas de tramela e não saia pela janela, “poderás virar ladrão”
Mas antes, colha os frutos da semente plantada naquela terra arada, naquele vasto chão...

Lucas Nunes