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Quem sou eu

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Sou a alma errante, que cai mas se levanta! Sou o que a vida pode me ensinar, sou aquilo que posso aprender, e aprendo! Não julgue! Não minta! Mas se fizeres, tente outra vez! Viva da verdade, sem vaidade, fruto que nasce no engano não pode sobreviver por muito tempo, porém a dor poderá ser um eterno tormento! Pessoas... ainda acredito nelas, pois elas precisam acreditar em mim. Acredite! A magia esta em 'conhecer' e seguir na troca de figurinhas! Tudo passa, porém, nossa história fica, e feliz aquela que for lembrada e publicada. Não sou o que escrevo, mas o que a vida é, e se ela é, e eu a vivo, todos somos escrita! Eu... Lucas Nunes (LNS7)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Palavras regadas

Sob a luz de um poema vidas brotam entre palavras
Pelas frases em folhas serenas surgem contos de vida selvagem
Regue à tinta com o toque de suas mãos a nova criação
Mantenhas aberto, o que por certo trará a cada leitura, nova emoção

Transcrevo o cantar de um passarinho àqueles que conseguirão ouvir
E mesmo antes que este canto encante, o tempo oferece mais espaço ao que desejar sentir
Surgem o som de asas, uma a uma enfileirada numa dança suave no céu
A terra abaixo contempla a graça de aves serenas em voos de papel

Os olhos buscam o mundo ao redor para que lendas possam surgir
Histórias surgem a cada segundo, em becos escuros sem alguém por escrito exprimir
Desce o dedo regado à saliva para a página virar
O que vem por detrás da folha oferece nova escolha àquele que desejar narrar

Andam por aí tentando encontrar folhas limpas para um escrito
Mas há tantas folhas novas clamando por algum registro
Há vozes na vida lá de fora que ainda não puderam falar
Tornem as páginas abertas para que estas vozes possam ecoar

Sob a luz de um poema vidas brotam entre palavras
Pelas frases em folhas serenas surgem contos de vida selvagem
Regue à tinta com o toque de suas mãos uma nova criação
Mantenhas aberto, o que por certo trará a cada leitura, nova emoção

Lucas Nunes

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Vozes que clamam

Hoje à noite uma voz ecoou no mundo lá fora
Mas eram altos os barulhos dos talheres de prata
Soavam em cascata o tilintar das taças de cristais
E então a voz não foi ouvida

Tenha colo nos braços da paz e repouse serena a criança perdida
Tenha esperança, ainda, na vida aquele quem a idade veio abraçar
Tenha flores os campos...
Derrame o céu sobre a terra as águas de seus cântaros...

Se não houver quem clame por nós, as pedras assim farão
Mas ouça, ainda, a voz de uma mão estendida
Divida, ainda, a melhor parte de sua comida
Uma vida atendida, e a morte não poderá convidá-la ao seu banquete

Um azul e vermelho à beira do mar, na areia da praia
A inocência rendida no desespero de vida, o fôlego que se foi
Acolhida pelos braços do Pai das luzes, a sua luz enfim se acendeu
Era uma criança que pouco cresceu e que o mundo não parou para ouvir...

Hoje à noite uma voz ecoará no mundo lá fora
Aquiete os barulhos altos de seus talheres de prata
Cesse o tilintar das taças de cristais
E então atenda a voz e ouça o que ela tem a clamar...

Lucas Nunes

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vivo de vida

Eu vivi a vida ao lado de quem vida viveu
Eu cresci com vida a vida que tenho a viver
Eu sorri pra vida quando a vida lágrima escorreu
Eu corri para um abraço de vida de quem a vida me deu

Eu vi a vida seguir sem mais vida, então saudade bateu
Eu vi a vida brindar nova vida, então a criança cresceu
Eu vi a vida crescer sem medida no caminho que escorreu
Eu vi a vida nua, despida, na criança que sou eu

Há tanta vida a ser escrita de quem a vida acolheu
Há tanta vida a ser lida por quem lendo na vida viveu
Há tanta vida esquecida que vagas lembranças devolvem à vida, vida que se
perdeu
Há tanta vida esperando pela vida que pouco a pouco se escondeu...

Eu vivi a vida ao lado de quem vida viveu
Eu vi a vida seguir sem mais vida, então saudade bateu
Eu sorri pra vida quando a vida lágrima escorreu
Eu vi a vida nua, despida, na criança que sou eu

Lucas Nunes

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Cânticos de primavera

Traz o vento os teus encantos em brisas de aroma e cor
Sopra o vento os teus ares, brumas à relva em flor
Em cada galho a oferecer espaço, um pássaro a espera...
Abrem asas e vibram a terra com os cânticos de primavera

Ecoa o som de um violão do “seu moço” num banquinho
Não se move a viva estátua envolta de luz dourada pela tinta que reluz
O sol insiste um pouco e ainda pra quem deseja mais no dia o dia abraçar
Brindam taças de copos-de-leite toda a gente que sente a primavera cantar

Voltam os filhos para a casa e pra casa toda a criação
Doces, compotas, bolos e tudo o mais que adoça a todos servir
Mais à noite surgem histórias por quem plantou lá fora flores pra colorir
Silencia a voz que narrava às canções fora da casa que embalam quem espera o sono vir

Flutua sobre os campos em graça por todo canto, sua majestade estação
Na borda dos teus vestidos brota o colorido em pétalas de jasmim
Nasce em ti a vida de cada espécie que tinge a essência alegre presente em cada ser
Caminham por tapetes amarelos os pés que ficaram à espera do deitar de um ipê

Traz o vento os teus encantos em brisas de aroma e cor
Sopra o vento os teus ares, brumas à relva em flor
Em cada galho a oferecer espaço, um pássaro a espera...
Abrem asas e vibram a terra com os teus cânticos de primavera

Lucas Nunes

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Tempos de lá

Abra as asas saudosa lembrança dos tempos de lá
Percorra a casa de chão amarelo amarelão
Destranque as portas de tramela e veja pela janela que...
Há sementes sendo plantadas na terra ao lado

Vá até o fogão à lenha no quintal e dê a ele vento ao fogo
Sente-se e veja a habilidade daquela senhora
Que faz a aurora do branco do barro de argila
É magnífico vê-la feliz, fazendo o que hoje tu lembras a mim

Acorda o dia, tem café com farinha e água de cacimba
“Ande Dito, dê logo milho aos pintos enquanto trato do resto da criação”
“Tenha calma Júlia, tô trocando a água suja, e tu não espante o leitão”
E no alto do abacateiro, assiste a criança toda essa alegria no terreiro

Dança suave fim do dia, abrace em seus poleiros uma a uma as galinhas
O fogo ainda está aceso e vem aí um viradinho, um refogado, doce de leite...
Traga dos tempos de lá o cheiro que luto em não esquecer
Daquele pó torrado, daquele milho ralado, daquele pilão tão antigo...

Sempre irá existir aquela casinha onde cercas de bambus eram vizinhas
Onde ecoa o som de muitas rolinhas e borboletas ainda beijam folhas de caetê
Haverá flores na jabuticabeira e muito em breve a amoreira dará seu fruto sem se cansar
E num quarto bem quentinho lembrarei que dormem um sono divino os donos desse lar

Volte em suas asas saudosa lembrança dos tempos de lá
Traga-me as memórias da casa de chão amarelo amarelão
Feche as portas de tramela e não saia pela janela, “poderás virar ladrão”
Mas antes, colha os frutos da semente plantada naquela terra arada, naquele vasto chão...

Lucas Nunes

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Pingo d'água

A nuvem carregada trouxe o pingo d'água
Que pingou por terra adentro
Que regou a seca ardendo
E que escorreu pelos dedos de areia

Dentro da terra há morada feita de mina
Entram sem bater e seguem em ciranda cirandar
Cumprimentos de gota d'água formam leitos
E se deitam os pingos em lençóis a escorrer

Aperte o passo camarada que os céus anunciam água
Vem vindo chuva, aos prantos e trovoadas
Mãe de pingos é enxurrada
Sela a terra num abraço de dama molhada

Tem cheiro sim água de chuva
Tem pés molhados pelos passos de rua
Tem pote cheio de água turva
Tem água de barro na roupa suja

Aperte o passo pingo d'água
Que atrás vem vindo chuva
Seus anúncios são trovoadas
Vem mãe de pingos, enxurrada

A nuvem carregada debruça toda em água
Que deságua terra adentro
Que esfria a terra ardendo
E que escorre pelos dedos de areia...

Lucas Nunes

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Josefa

Uma voz que vem por de trás de um portão
Uma mangueira, um pano pra secar, um sabão
Olhos escondidos, marcas de expressão no rosto da idade
Uma senhora, naquela hora, em uma rua qualquer

A água que lavava o carro escorreu pra lavar a mão
A terra que alimenta a árvore tinge os dedos com graxa e a faz sair
Mas havia uma senhora, chamando do outro lado da rua, querendo ajudar
"Venha cá garoto, lave-se direito, e cuidado para não se molhar"

Ela olhou para fora sem ser percebida
Ela esperou o momento certo para oferecer luz pro dia
E ela disse seu nome quando perguntou o garoto já com as mãos limpas
"Josefa! E o teu?"

Ela sorriu quando ouviu a resposta
"Meu sobrinho tem o nome que é igual ao seu!"
"Não me esquecerei!", ela disse no olhar daquele adeus
Ele... agradeceu!

Foi uma voz que veio por de trás de um portão
Uma mangueira, uma pano pra secar, um sabão
Olhos escondidos, marcas de expressão no rosto da idade
Era uma senhora, numa certa hora, em uma rua qualquer...

Lucas Nunes