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Quem sou eu

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Sou a alma errante, que cai mas se levanta! Sou o que a vida pode me ensinar, sou aquilo que posso aprender, e aprendo! Não julgue! Não minta! Mas se fizeres, tente outra vez! Viva da verdade, sem vaidade, fruto que nasce no engano não pode sobreviver por muito tempo, porém a dor poderá ser um eterno tormento! Pessoas... ainda acredito nelas, pois elas precisam acreditar em mim. Acredite! A magia esta em 'conhecer' e seguir na troca de figurinhas! Tudo passa, porém, nossa história fica, e feliz aquela que for lembrada e publicada. Não sou o que escrevo, mas o que a vida é, e se ela é, e eu a vivo, todos somos escrita! Eu... Lucas Nunes (LNS7)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Josefa

Uma voz que vem por de trás de um portão
Uma mangueira, um pano pra secar, um sabão
Olhos escondidos, marcas de expressão no rosto da idade
Uma senhora, naquela hora, em uma rua qualquer

A água que lavava o carro escorreu pra lavar a mão
A terra que alimenta a árvore tinge os dedos com graxa e a faz sair
Mas havia uma senhora, chamando do outro lado da rua, querendo ajudar
"Venha cá garoto, lave-se direito, e cuidado para não se molhar"

Ela olhou para fora sem ser percebida
Ela esperou o momento certo para oferecer luz pro dia
E ela disse seu nome quando perguntou o garoto já com as mãos limpas
"Josefa! E o teu?"

Ela sorriu quando ouviu a resposta
"Meu sobrinho tem o nome que é igual ao seu!"
"Não me esquecerei!", ela disse no olhar daquele adeus
Ele... agradeceu!

Foi uma voz que veio por de trás de um portão
Uma mangueira, uma pano pra secar, um sabão
Olhos escondidos, marcas de expressão no rosto da idade
Era uma senhora, numa certa hora, em uma rua qualquer...

Lucas Nunes

sábado, 20 de maio de 2017

Anúncios de um regresso

Por onde os meus pés pisaram
Nas trevas fez luzes ascender
Por mais que muito longe eu vá
É certo que eu volte como volta o amanhecer

Eu vi naquele trem seguir quem não teve o que escolher
Em meio a tantos corações, a fé nasce à quem crê
Lembrei-me que o amor caminha junto e ao lado do perdão
Se hoje deixei por partir, é certo que voltarei aqui

Acalme amarga fera que por dentro espreme e espera quem vem lá de fora
Tem vento secando as roupas quaradas pela primavera
Venha brindar sagrada penumbra o pouco que nos resta
Uma luz de lampião que alumia nossa terra

Nesse vale tão distante acho que o trem pôs se a perder
Perdido muito longe foi de sua estação
Se hoje esperam aqui sem hora pra esperar
É porque fostes de mim, distante descarrilhar

O inverno encheu meu copo vazio
Onde estará a água pra beber?
Anunciaram o verão, lembrando que o calor faz o gelo derreter
E então ouvem o trem vazio, em seu regresso amanhecer

Por onde os meus pés pisaram
Nas trevas fez luzes ascender
Por mais que muito longe eu vá
É certo que eu volte como volta o amanhecer

Lucas Nunes

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O verão passa por aqui

Quando a noite vier pra ti
Se assegure nos galhos da árvore mais distante
Os dias se vão um a um
E o verão passou por aqui

Ainda há batalhas por campos que plantaram sementes
E há vagas em poltronas à frente
Mas em meio a estrondos estridentes
Outro som entoa a canção dos valentes

Tem paz a noite bela
Tem luz para os dias escuros
Já posso ver o crescimento dos brotos das sementes a florir
É o sonho que sonhei antes do verão seguir

Venha logo, os campos já te chamam
Traga as doces notas desta antiga trama
Uma a uma mostre à existência
O céu inteiro fez o convite pra assistir

O cheiro de grama e palha fez ao dia a ironia fresca
Sobre o palco, em uma cama lembrei da despedida
A orquestra narrou o adeus de quem voltaria
Ficou a filha sem a dor daquela partida

Mas quando a noite vier pra ti
Se assegure nos galhos da árvore perto instante
Os dias se vão um a um
E o verão voltará a passar por aqui

Lucas Nunes

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Dama de porcelana

Tua face estática maquiada em pó de poeira ao redor
Teu olhar posto de lado no longe encarado, perto e só
Deseja mais tempo pra mais uma corda de fôlego que acorda teu giro dançante
E é feito de louça o bordado na roupa das Damas de porcelana...

Vai cair a tarde quando o sol for raiar outro dia
Estará o céu tingido em laranja abóbora na luz que luzia
Brilhará no balanço dos teus vestidos fios de ouro de um passado erguido
A riqueza de tua terra, tua por herança, dama criança...

Pés em terra, seca e molhada, marcam pegadas da dança que rodas serena
Vem devagar, devagarinho, passo a passo de fininho quem ousou sair da fila
Trazem luzes de penumbra pra que o ar lhe faça morena
Voltam pra fila, ligeiros, ligeirinhos, passo a passo rapidinho pra um instante tu ficar

Ah se tu soubesses que o réu tem suas preces...
Então tu saberias, que ser livre nesses dias não é ser juiz!
Mas há por trás da rocha dura,
quem sabe com doçura mostrar quem somos nós
Ah tu saberás, lá fora quando voltar, que o caminho é perdoar...

Tua face estática maquiada em pó de poeira ao redor
Mostra teu olhar posto de lado no longe encarado, perto e só
Deseja mais tempo pra mais uma corda de fôlego que acorda teu giro dançante
E é feito de louça o bordado na roupa das Damas de porcelana...

Lucas Nunes

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Amarelo esplendor

Dança suave o teu vestido quando vejo você passar
Sinto perfume de rosas e a pétala cai
Ouço as xícaras que cantam
E então o relógio se distrai

Os povos das aldeias festejam, tem graça no ar
As aves no céu gorjeiam pelos favos de mel
E eu ouço as xícaras que cantam
E as velas revelam luzes do dia que absolve o réu

Teus braços se abrem em liberdade
Há livros em grego que não li
Teus passos inda embalam teu vestido
Então me lembro, tua história que escrevi

Mesa longa e de madeira estendida pelo salão
Vozes, palmas, gargalhadas que se vão...
Ouço as xícaras que cantam
Anúncios em mais uma canção

Abrem-se as portas, é teu amarelo esplendor
Os rostos se voltam e o tempo reverencia ao teu favor
Somente as xícaras cantam
A pétala regou os pés da nova flor que brotou...

Dança suave o teu vestido quando te veem entrar
Há perfumes de rosas na brisa que cai
Ainda ouço as xícaras que cantam
E então o relógio torna as horas iguais

Lucas Nunes

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Outro dia de Sol

Não contes os dias em anos dos anos que tem
Tão pouco quantos foram os que nuvens fizeram chover
Águas que escorrem do alto brindam o renovo da terra
Para que então nasça outro dia de sol

Ei tu, que anda sobre pés descalços sobre folhas secas
Lá fora tem tempo em água de chuva em dia raiado
Tem lama formada às roupas claras fora do varal
Tem tu, conjugada em verbo atemporal...

Ei tu, que vigia o trem de chegada na estação da vida
Teu desembarque traz passos dançantes
Pro tempo parar e dançar em horas elegantes
Do lado de cá pro lado de lá, em sol, dó, ré, mi e fá...

Ei tu, que leva e espera a parte que lhe cabe repartida
Levante-se e vá ver que tem milagre fora dos trilhos
Desenho de teu sorriso com raios de sol
Das folhas pintadas, dos sonhos lembrados...

Ei tu, vá depressa na sorte de quem foi por aí
Verás na estrada marcas de quem à frente está
Ouvirás os passos de quem logo atrás vem
Não percas o trem, milagres o tornam ao trilho

Não contes os dias em anos dos anos que tem
Tão pouco quantos foram os que nuvens fizeram chover
Águas que escorrem do alto brindam o renovo da terra
Para que então outros dias de sol possam nascer

Lucas Nunes


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poemas envelhecidos

Surge uma memória que os de fora esqueceram
Lembraram-se de palavras que não foram contadas
Guardaram os livros dos contos envelhecidos
Mas deixaram cair uma velha folha de um poema preferido...

Dizia a canção que existiam milhões de razões
Mas o poeta procurava apenas uma que fizesse sentido
A única, unida na sacada de um rascunho
Gerada no espaço percorrido entre o lápis e seu próprio punho...

O piano soava acordes de notas que inspiravam
Dançavam suas teclas numa sequência que olho nenhum piscou
Era um som que movimentava o ar
Foi vida que fora composta e posta na vida de fora pra andar...

Dama adornada em panos vermelhos
Caminha sobre nuvens terrenas no desejo de cantar
Existiam milhões de razões pra que ouvissem sua canção
Mas o autor buscava apenas uma que desse sentido a emoção...

Despertaram-se as memórias que os de fora haviam esquecido
Foram lembradas as palavras que deixaram de contar
Alguém se voltou para um velho livro de contos envelhecidos
Estão lendo, cantando, os poemas preferidos!

Lucas Nunes